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As emoções controlam você?

As emoções controlam você?

 

Por Rê Campbell / Fotos: Fotolia, Leo Bark, Victoria Silveira, Cedida, Mídia FJU/ Guarulhos e Demetrio Koch / Arte: Edi Edson

O primeiro turno das eleições 2018 terminou com um triste saldo: a agressividade. O ódio cegou a razão. Com as emoções à flor da pele, os eleitores preferiram xingar candidatos a debater propostas para o País. Milhares de brasileiros ajudaram a espalhar fake news (notícias falsas). Grupos de família no Whats-App viraram palco de guerra e desconhecidos passaram a trocar acusações no Facebook.

Em meio ao caos nas redes sociais, muitos se tornaram cabos eleitorais de candidatos sem ganhar um tostão por isso. Outros abriram mão de raciocinar com a própria cabeça. Nesse ambiente adverso, o Brasil saiu perdendo.

A polarização e a agressividade na campanha eleitoral foram apontadas como motivo de preocupação pela Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA). Segundo o grupo, formado por 41 especialistas de todo o mundo, “a desinformação e as notícias falsas constituíram uma constante durante a fase pré-eleitoral e se intensificaram no dia da votação”.

Emoções na política
O cientista político Malco Camargos explica que a divisão da sociedade brasileira em dois grupos é um prejuízo para todo o País. “Hoje não se discutem mais políticas públicas, houve um empobrecimento do debate quanto aos diferentes modelos de gestão e prioridades do Estado.” Segundo ele, muitas campanhas focaram apenas no ataque ao adversário. “A polarização é personalista. As pessoas estão mais preocupadas em pertencer ao grupo de um candidato ou de outro do que em falar sobre propostas”, avalia.

Camargos afirma que os casos de corrupção levaram muitos eleitores a criminalizar a política. Isso também contribuiu para a polarização e para os discursos de ódio. O resultado é um cenário de dúvidas para o futuro. “Nós não cobramos dos candidatos uma explicação sobre seus projetos e isso gera incerteza em relação ao que esperar dos representantes eleitos”, acrescenta.

Além disso, o cientista político lembra que as tecnologias facilitaram o envio de mensagens por impulso e, com isso, a propagação de mentiras. “A disseminação do uso do Whats-App cresceu e ainda não há controle. Precisamos pensar em formas de evitar a calúnia, a injúria e a difamação.”

Diferença e confronto
Além de problemas na política, as reações emocionais trazem prejuízos em outras áreas da vida. Mas o que leva uma pessoa a agir pela emoção? A psicóloga e coach Isabela Cotian explica: “muitas pessoas não têm controle emocional nem autoconhecimento, ou seja, elas não conseguem identificar as situações que as tiram do sério”.

A psicóloga lembra que o descontrole também está ligado à falta de empatia. “As pessoas têm dificuldade de se colocar no lugar do outro. É importante destacar que cada pessoa tem uma cultura, uma história e valores diferentes”, afirma.

A master coach Cris Sousa (foto a esq.) alerta que muitos indivíduos usam as diferenças para atacar quem não pensa igual a elas. Assim, elas se deixam dominar por atitudes emocionais. “Muitas pessoas estão viciadas em criticar e discutir, é um vício emocional. Elas são levadas pela maioria e agem por impulso. Enquanto isso, alguns se aproveitam para manipular esses discursos”, diz ela, que é treinadora da Febracis.

Cris sugere que as pessoas busquem o equilíbrio entre razão e emoção. “Muitas pessoas tomam decisões erradas baseadas na raiva e no ódio e depois se arrependem. O autoconhecimento e a inteligência emocional levam a melhores escolhas. Além disso, é importante entender que não existe verdade absoluta, mas pontos de vista diferentes”, diz ela.

Impulsivo
Jorge Jaime Reis ( foto abaixo) conhece bem os prejuízos de agir com base nas emoções. Ele confessa que parte de sua juventude foi marcada pela impulsividade. “No futebol, eu queria ser o dono do time. Eu tomava atitudes sem pensar muito, acreditava que só eu estava certo.”

Em pouco tempo, a falta de controle emocional começou a trazer prejuízos no trabalho. Aos 23 anos, Jorge Jaime tinha um cargo importante na empresa em que atuava. Apesar disso, ele colocou tudo a perder por causa da emoção. “Eu era chefe do departamento de custos da empresa e o pessoal gostava muito de mim. Um dia, o meu supervisor começou a atrapalhar meu trabalho. Eu falei com ele duas vezes. Na terceira vez, não aguentei e o peguei pelo colarinho. Fui demitido.”

Na época, Jorge Jaime era recém-casado e conta que ficou desempregado por quatro meses até que conseguiu um trabalho como supervisor de custos. “Era um bom emprego, com salário maior, mas novamente a impulsividade me atrapalhou. Eu não sabia me comunicar, achava que as coisas deviam ser do meu jeito. Depois de dois anos, arrumei encrenca com o diretor e perdi o emprego”, esclarece.

Após duas experiências negativas, ele decidiu aprender a dosar as emoções. Jorge Jaime passou a analisar as situações antes de falar e agir. E qual foi o resultado? Ele permaneceu 10 anos na mesma empresa. “Trabalhei na controladoria de uma grande empresa. Eu tinha um departamento sob minha responsabilidade, então aprendi a domar minha impulsividade”, detalha.

Hoje, aos 65 anos, Jorge Jaime é professor de programação neurolinguística (PNL). Segundo ele, o primeiro passo para tomar atitudes mais racionais é a humildade. “No momento que você se torna humilde, sua impulsividade fica nula. Um dos ensinamentos da PNL é que você precisa compreender a pessoa com quem deseja se comunicar e usar as mesmas características dela para se aproximar.”

Decisões emotivas
A professora Tania Nascimento, de 45 anos, conta que a insegurança a levava a agir sem pensar. Ela explica que seus primeiros relacionamentos amorosos foram fruto de atitudes baseadas na impulsividade. “Eu ouvia a opinião de outras pessoas e acabava me envolvendo”, diz. “A primeira pessoa com quem namorei era muito insegura. Mesmo assim, o namoro durou cinco anos, entre idas e vindas. Meu segundo namorado me humilhava, não me tratava bem.”

Em seu terceiro namoro, Tania estava certa de que iria se casar. “Nós ficamos três anos juntos e depois nos separamos, porque ele tinha atitudes erradas. Voltamos a namorar após dois anos, mas descobri que ele me traía e cancelei o casamento”, esclarece.

Após mais um rompimento, ela começou a frequentar as palestras da Terapia do Amor na Universal. Foi lá que ela aprendeu a se valorizar e deixou de agir pela emoção.

A publicitária e mestre em Comunicação e Semiótica Ionara Lermen, de 32 anos (foto a esq.), conta que já deixou a emoção falar mais alto em um relacionamento. “Eu tinha títulos acadêmicos, mas era analfabeta na vida sentimental”, brinca. Há alguns anos, ela revela que iniciou um namoro sem refletir muito.

O relacionamento começou após um mês de conversas por telefone, pois ela mora no Rio Grande do Sul e o rapaz em São Paulo. “Foi uma decisão precipitada. Naquele momento, eu comecei a namorar por carência e ansiedade, queria mostrar para todos que havia mudado de vida”, conta. Ionara afirma que chegou a tomar atitudes diferentes de sua personalidade para chamar atenção. “Eu não gostava de redes sociais, mas comecei a postar muitas fotos e mudei meu comportamento.” Apesar da euforia, o namoro durou só três meses.

Depois, Ionara decidiu buscar ajuda nas reuniões da Terapia do Amor. “Fui aprender primeiro a ser feliz sozinha e a não ter medo de perder.” Ela explica que conheceu o atual namorado há mais de um ano, mas os dois só começaram a namorar há pouco mais de um mês. “Preferi ir com calma. Conversei com pessoas que o conheciam, pedi referências, fui conhecer os pais dele. Eu queria ter certeza de que ele estava me olhando por dentro”, finaliza ela.

A fisioterapeuta e instrutora de pilates Roberta Rebequi, de 22 anos (foto a dir.), diz que também começou um namoro por impulso. “Eu tinha conhecido o rapaz aos 17 anos. Ele não tinha a mesma fé que eu. Nós saíamos de vez em quando e acabei assumindo o namoro.”

Roberta, que já frequentava a Universal, explica que se afastou dos ensinamentos da igreja por causa do relacionamento. “Eu esfriei na fé. Fiquei completamente apaixonada pelo rapaz e me anulei. Tomava atitudes baseadas nos meus sentimentos e me afastei da minha família”, lembra. Roberta conta que suas emoções ficaram descontroladas. “Eu brigava com meu namorado, não prestava atenção nas provas, estava sempre irritada e acabava descontando nos meus parentes”, detalha. Em 2016, ela decidiu mudar o foco e passou a se dedicar às reuniões da Universal. “Terminei o namoro e aprendi a controlar minhas emoções”, conclui.

Decepções
A bombeira civil Patrícia Moraes, de 35 anos, afirma que já agiu por impulsividade em alguns momentos da vida. O primeiro deles foi quando ela estava prestes a completar 18 anos. Ela conta que se preparava para viajar e conhecer o pai quando descobriu que ele havia morrido. “Eu não conhecia meu pai, mas sabia onde ele morava. Minha mãe não me deixava viajar sozinha, então eu estava esperando me tornar maior de idade. Quando soube que ele morreu, fiquei revoltava contra a minha mãe e meus irmãos e me envolvi com drogas”, lembra.

Aos 22 anos, ela conheceu o marido, Fábio, e conseguiu superar a dependência química. “Eu contei que era viciada, mesmo assim ele quis se envolver comigo e me ajudou a sair do vício.” Alguns anos depois, entretanto, Patrícia diz que se afastou do marido e se interessou por um homem casado. “Eu fui impulsiva e me envolvi com aquela pessoa. Depois, fui tomada por um sentimento de culpa, não conseguia mais dormir e pensei em tirar minha vida. Enfim, tive coragem de contar para o meu marido e pedir o divórcio.”

Patrícia conta que estava abalada emocionalmente. Apesar disso, o marido a apoiou. Eles começaram a participar juntos das palestras da Terapia do Amor, da Universal. Ela também passou a frequentar o grupo Godllywood. “Nas tarefas do Rush, aprendi a não agir por impulso e a analisar racionalmente cada desafio. Hoje, penso antes de agir e pratico os ensinamentos em todas as situações, tanto na família como nas demais relações ou no trabalho”, conclui ela, que conseguiu fortalecer a relacionamento com o marido.

Controle os nervos
A psicóloga cognitivo-comportamental Claudia Melo argumenta que boa parte das pessoas que tem desequilíbrio emocional na fase adulta já apresentava o problema na infância. “É preciso olhar para as fases da vida da pessoa, verificar as perdas que ela já teve por causa da impulsividade”, diz.

Segundo a especialista, pessoas emocionais agem de forma intensa. “Elas não conseguem ouvir o outro e podem ser agressivas. Alguém precisa sinalizar o problema.” Em muitos casos, é necessário buscar ajuda especializada.

“Algumas pessoas não conseguem lidar sozinhas com o problema. É preciso aprender a trabalhar comportamentos e as consequências deles para que a pessoa conheça seus limites e consiga viver de forma mais equilibrada”, finaliza.

A psicóloga e psicanalista Cristiane Martin (foto a esq.) acrescenta que pessoas muito emotivas e impulsivas costumam ser egoístas e gostam de reclamar de tudo. “Elas costumam fazer ‘tempestade em copo d’água’. Assuntos que poderiam ser resolvidos de forma amistosa se transformam em problemas. Elas agem sem pensar e machucam os outros.”

Além de buscar ajuda de psicólogos, a especialista sugere que os impulsivos busquem atividades para aliviar a pressão emocional. “É imprescindível buscar o autoconhecimento para que aprendam a respeitar os próprios limites e os do outro. Além disso, sugerimos exercícios físicos para aumentar a serotonina e a endorfina, hormônios que trazem felicidade e bem-estar.”

Fé inteligente
As pessoas ouvidas nesta reportagem têm algo em comum: elas conseguiram usar a razão para superar os apelos do coração. Entretanto, isso não significa que elas não tenham sentimentos, pelo contrário. Jaime, Tania, Ionara, Patrícia e Roberta simplesmente decidiram não nortear as decisões da vida pela emoção, mas pela fé inteligente.

Durante uma das transmissões do programa Palavra Amiga, o Bispo Edir Macedo explicou o que é a fé inteligente. “Quando falamos em inteligência, isso não significa dizer que Deus apela para que as pessoas sejam mais educadas, mas para que todos nós usemos nossa capacidade de raciocínio. É pesar as coisas, avaliar, conferir a sua fé em relação às coisas da vida. Viver a fé inteligente é usar a razão e não as emoções”, disse. Ele ainda acrescentou que muitas pessoas confundem fé com religiosidade. “A religião é uma fábrica de emoções, um teatro, porque as pessoas apelam para suas emoções, mas, quando estão fora da igreja, fazem o que bem entendem da vida. Isso não é ser sábio”, finaliza.

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